quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Didaquê: A Instrução dos Doze Apóstolos





(Ano 145-150 DC)

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE

CAPÍTULO I

1 Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2 Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3 Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4 Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5 Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6 Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

CAPÍTULO II

1 O segundo mandamento da instrução é:

2 Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.

3 Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.

4 Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.

5 A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.

6 Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7 Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

CAPÍTULO III

1 Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.

2 Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.

3 Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.

4 Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.

5 Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.

6 Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.

7 Seja manso pois os mansos herdarão a terra.

8 Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.

9 Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.

10 Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.

CAPÍTULO IV

1 Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.

2 Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3 Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4 Não hesite sobre o que vai acontecer.

5 Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6 Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7 Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. reverência, como à própria imagem de Deus.

8 Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.

9 Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.

10 Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.

CAPÍTULO V

1 Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2 Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.

CAPÍTULO VI

1 Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.

2 Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.

3 A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.

A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
CAPÍTULO VII

1 Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2 Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.

3 Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.

CAPÍTULO VIII

1 Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.

2 Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".

3 Rezem assim três vezes ao dia.

CAPÍTULO IX

1 Celebre a Eucaristia assim:

2 Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".

3 Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

4 Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".

5 Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

CAPÍTULO X

1 Após ser saciado, agradeça assim:

2 "Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

3 Tu, Senhor o­nipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, orém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.

4 Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.

5 Lembra-te, Senhor, da tua Igrreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6 Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."

7 Deixe os profetas agradecerem à vontade.

A VIDA EM COMUNIDADE
CAPÍTULO XI

1 Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.

2 Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3 Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.

4 Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.

5 Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.

6 Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar o­nde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.

7 Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8 Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.

9 Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.

10 Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.

11 Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.

12 Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.

CAPÍTULO XII

1 Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.

2 Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.

3 Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.

4 Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.

5 Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!

CAPÍTULO XIII

1 Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.

2 Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.

3 Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.

4 Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.

5 Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6 Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7 Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.

CAPÍTULO XIV

1 Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

2 Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.

3 Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".

CAPÍTULO XV

1 Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2 Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.

3 Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no
Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.

4 Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.

O FIM DOS TEMPOS
CAPÍTULO XVI

1 Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2 Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3 De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4 Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6 Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. 7 Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". 8 Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Deus está em silêncio?



Muitas pessoas hoje em dia falam em nome de Deus, parecem saber tudo o que ele quer ou exige, mas o que Deus tem, de fato, falado? 

Olhando para a situação do nosso mundo, não parece, muitas vezes, que Deus está em silêncio? Não parece que ele guarda silêncio sobre os conflitos no Oriente Médio ou sobre os aviões que são derrubados? Ou mesmo sobre toda a corrupção do gênero humano, os assassinatos, a violência desmedida que toma nossas ruas e ceifa tantas vidas? Por que Deus não se manifesta a respeito da decadência moral de um país inteiro modelado pela “cultura" da novela das oito? Por que não derrama logo fogo e enxofre sobre os sodomitas do presente?

Penso que há quatro aspectos a respeito do “silêncio" de Deus que devem ser considerados. 

Em primeiro lugar, não significa conivência. No salmo 50, Deus descreveu pecados típicos dos nossos dias como aborrecer a disciplina (v. 17), ter prazer em ver o ladrão se dar bem (v. 18), apoiar os adúlteros (v. 18), falar mal dos outros, inclusive das pessoas mais próximas (v. 19), então complementou: "Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.20). Ou seja, o silêncio de Deus não significa conivência com os pecados humanos.

Em segundo lugar, o silêncio de Deus significa “disciplina”. Seria melhor que ele gritasse, condenasse, exigisse arrependimento, mas quando ele se cala, significa que entregou os homens à sua própria sorte, ou às mãos dos inimigos (Ne 9.30). Em Romanos 1.18-25, o Apóstolo Paulo descreve a impiedade dos homens daqueles dias que haviam rejeitado o conhecimento do Deus verdadeiro por causa dos ídolos. A consequência está nos versos 26-28: “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes”. O estado da sociedade atual é o resultado do silêncio de Deus. Quando Deus se cala, quando entrega os homens a si mesmos, não há esperança.

Em terceiro lugar, o silêncio de Deus nunca é definitivo. O profeta Isaías falou em nome de Deus: "Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos como a parturiente, e ao mesmo tempo ofegarei, e estarei esbaforido. Os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos. (Is 42.14-15). Para aqueles que desdenham do juízo, que se atrevem a viver despreocupados, pois julgam que Deus está calado, vale a advertência.

E, finalmente, na verdade, Deus não precisa trovejar do alto com sua voz estrondosa, porque ele já falou tudo o que é necessário. Na parábola do rico e Lázaro, do inferno, o rico suplica que Lázaro volte a terra para alertar seus irmãos. A resposta celeste é que os irmãos têm “Moisés e os profetas” (Lc 16.29), ou seja, as Escrituras Sagradas. Mas o rico perdido não está satisfeito e insiste que se alguém voltar dentre os mortos, as pessoas ouvirão. A resposta divina é surpreendente: "Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16.31). 

O que mais Deus precisaria falar para que as pessoas entendam as escolhas erradas da vida e se voltem para o que é certo? O que mais ele poderia dizer sobre salvação ou condenação? Temos 66 livros que reúnem tudo o que Deus já falou sobre o início e o fim do mundo, e principalmente, sobre o ponto central da história, onde se eleva uma cruz, dividindo a história, separando os homens à direita e à esquerda, conduzindo os arrependidos ao paraíso num piscar de olhos. 

Deus fala na Escritura. Mas quem tem ouvidos para ouvir?

Por - Leandro Lima

terça-feira, 22 de julho de 2014

Um clamor no inferno



"Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado. No Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado. Então, chamou-o: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo." Lc 16:22-24

É muito comum vermos pessoas dizendo que são "novas demais", ou, "que Deus pode esperar mais um pouquinho", quando questionadas sobre a razão de ainda não desfrutarem de uma comunhão com Deus. Costumam fazer planos, elaboram projetos, arquitetam cada detalhe de suas vidas, e acabam se esquecendo de que a vida é como um sopro, como um vento que passa e não se sente mais, e a resposta de Deus para estas pessoas é esta: "Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" Lucas 12:20

Quando analisamos a vida deste rico, somos levados a fazer a mesma pergunta feita por Cristo em Mc 8:36: "Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?". Enquanto o rico acumulava tesouros na terra, Lázaro acumulava tesouros no céu (Mt 6:19-21).

Erramos quando não priorizamos Deus, também erramos quando não conhecemos as Escrituras, pois está tudo lá, de forma clara e evidente, a melhor maneira de sermos bem sucedido nesta vida é priorizando Deus; a  melhor maneira de experimentarmos a plenitude nesta vida é priorizando Deus. Em absolutamente tudo, o melhor está em se priorizar Deus!

É exatamente isso que as Escrituras nos mostram. Quem nunca leu aquele tão conhecido versículo que diz: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua Justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas." Mt 6:33 - Parafraseando este texto poderíamos dizer: Busquem a Deus, priorizem Deus, e tudo o que é secundário vos será acrescentado.

Deus não permitirá que nenhum dos Seus se perca (Jo 17:12), mas isto não significa que estamos isentos de responsabilidade. Cada cristão possui o ministério da reconciliação (2 Co 5:18), devemos anunciar o evangelho de forma irrestrita e igual a todos, e Deus pela Sua Soberania, agirá no interior de cada um segundo os Seus propósitos eternos e imutáveis.

Que nossa prioridade venha ser Deus, não só hoje mas para sempre. Amém!


sábado, 3 de maio de 2014

"AOS QUAIS CONVÉM TAPAR A BOCA." Tito 1:11



Este foi o recado de Paulo para Tito em relação aos falsos mestres. "Eles devem ser silenciados!"


E como isso deve ser feito? A resposta é simples: Denunciando e expondo suas obras e doutrinas torpes! Ao contrário do que se pensa, o escândalo não vem por parte de quem o denuncia, e sim por parte de quem o comete (Mt 18:7). João Batista não cometeu nenhum escândalo ao chamar Herodes de adultero, por que era exatamente isso que ele era, um adultero. O "escândalo" vinha por parte de Herodes que o cometia, e não por parte de João Batista que o denunciava.

Trata-se de uma repreensão severa, e não amigável; pois estamos lidando com destruidores de lares e deturpadores da sã doutrina (v. 11), é exatamente isso que o apostolo aconselha e Tito, veja: "repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé." Tito 1:13

É interessante destacar que esta denuncia possui um propósito, propósito este que encontramos no final do verso 13, observe: "para que sejam sadios na fé" Tito 1:13. Esta repreensão visa a salvação, e não a difamação. Já passou da hora de esse papo furado de "não tocar em ungido" chegar ao fim. Se é herege, e, se estiver deturpando a são doutrina, deve sim ser denunciado, e denunciado severamente, como alguém que abandonou o evangelho e se enveredou em caminhos de morte, e, como disse antes, tudo isto com o propósito de que volte a ser sadio na fé novamente.

Como bem disse o reverendo Augustus Nicodemus: “'Não toque no ungido do Senhor' é apelação de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar como resposta."

Encerro este texto com a sábia frase de João Calvino: "O cão late quando seu dono é atacado. Eu seria um covarde se visse a verdade divina ser atacada e continuasse em silêncio, sem dizer nada."

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Deus que surpreende



Quando Jesus está presente tudo pode acontecer. Um paralítico desenganado há 38 anos pode voltar a andar (Jo 5:1-15), um cego de nascença pode ver a luz (Jo 9:1-12), uma mãe que iria deixar seu filho falecido no cemitério pode voltar com ele vivo para casa (Lc 7:11-17), e etc.

De fato, servimos a um Deus que surpreende. Não são uma ou duas passagens nas escrituras que nos mostram a maneira inesperada de Deus agir, mas várias. Quando ninguém menos esperava, Deus ia lá e fazia as coisas acontecerem. Veja algumas ocasiões:

"E DE REPENTE veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados." Atos 2:2

"E DE REPENTE sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos." Atos 16:26

"Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, DE REPENTE me rodeou uma grande luz do céu." Atos 22:6 

"E, DIZENDO PEDRO AINDA ESTAS PALAVRAS, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra." Atos 10:44

Note como as escrituras nos mostram que todos estes episódios aconteceram de forma repentina, inesperada. Deus sempre surpreendeu e sempre surpreenderá aqueles que O amam, e isto é no mínimo motivacional.

Sabe aquela oração que parece não ter resposta? Ou o silêncio de Deus que parece não ter fim? Então, quem sabe hoje não é o dia do "de repente" de Deus na sua vida.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Não vos entregueis a inquietações." Lc 12:29



Aquele que nunca passou por momentos turbulentos na vida, que atire a primeira pedra! É comum do ser humano se preocupar e se inquietar com várias coisas; mas, até que ponto o que é secundário está tomando a primazia em nossas vidas?

É maravilhosa a simplicidade com que podemos viver; então, por que dar a alimento, roupa e etc., uma proeminência tão grande e desnecessária em nossas vidas? Deus conhece muito bem nossas necessidades, Ele sabe muito bem do que precisamos (Lc 12:30); e assim como Ele alimenta os corvos e veste as ervas do campo, assim também Ele nos vestirá e nos sustentará, em todas as nossas necessidades. (Lc 12:27-34; Sl 23:1)

O segredo de tudo está em priorizar Deus, está no ato de deixar o mundo e todos os seus prazeres como secundários, irrelevantes. Parafraseando Jesus eu poderia dizer: Busquem a Deus, priorizem Deus, e todas as coisas secundárias vos serão acrescentadas.

Não podemos nos deixar vencer pelos ventos da vida, não podemos, inclusive, deixar com que os problemas e as inquietações da vida tirem de nós o nosso foco em Deus. Em meio aos problemas, Jesus nos dá uma dica: “Não se perturbe, creia em Deus, e creia também em mim.” (Jo 14:1). Você já percebeu que para cada palavra contrária nas Escrituras, existe um livramento? Observe:

Palavra contrária: “Muitas são as aflições do justo”; (Sl 34:19)
Livramento: “Mas o Senhor o livra de todas”; (Sl 34:19)
Palavra contrária: “No mundo tereis aflições”; (Jo 16:33)
Livramento: “Mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”; (Jo 16:33)
Palavra contrária: “O choro pode durar uma noite”; (Sl 30:5)
Livramento: “Mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5); e etc.

O consolo de Deus para com seus filhos é este: Ele não nos deixou órfãos, Ele é presente para nos livrar, nos cuidar, e nos proteger; e também para nos corrigir e nos repreender quando preciso for, pois Ele faz isso com aqueles que ama. (Hb 12:6)

Aquiete-se, não se turbe, nem se perturbe. Lance diante de Deus as suas ansiedades, e Ele cuidará de ti. (1 Pe 5:7)


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Quando Jesus está presente



Quando Jesus está presente, o mar se acalma. Mt 8:23-27

Quando Jesus está presente, o vento se cala. Mt 8:23-27

Quando Jesus está presente, o nosso coração arde. Lc 24:32

Quando Jesus está presente, suas ovelhas O reconhecem e O seguem. Jo 10:27

Quando Jesus está presente, os mortos ressuscitam. Lc 7:11-17; Mc 5: 35-43; Jo 11

Quando Jesus está presente, os doentes são curados. Lc 4:40

Quando Jesus está presente, os demônios tremem. Lc 4:41

Quando Jesus está presente, pecadores são perdoados. Lc 5:20

Quando Jesus está presente, há justiça. 1 Jo 2:1-2

Quando Jesus está presente, temos vida. Jo 10:10

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Deus ou o céu: O que você tem buscado?



Uma pequena reflexão:

Se Deus não estivesse no céu, eu não desejaria o céu. Se Cristo estivesse no inferno, eu preferiria o inferno, pois, pela sua majestade e soberania, ele apagaria as chamas do inferno, expulsaria de lá Satanás e seus anjos, e o inferno, na mesma hora, se tornaria o céu.


domingo, 3 de novembro de 2013

Afinal, o que é orar?



[Alguns vão estranhar que um calvinista escreva sobre oração e mais ainda se eu disser que costumo orar todo dia... mas, aqui vai]

Orar a Deus deveria ser uma coisa simples. Todavia, poucos assuntos precisam de mais esclarecimentos do que a oração. Há muitos conceitos errados sobre a oração por causa do misticismo e da superstição que acometem o ser humano (não somente os brasileiros), por falta de mais conhecimento bíblico sobre o assunto e por causa de ideias equivocadas que as pessoas têm sobre Deus. Seguem alguns pontos sobre oração que penso que são fundamentais e também relevantes para nós hoje. Estou pressupondo o básico: quem vai orar acredita que Deus existe e que Ele recompensa os que o buscam (Hb 11.1-2 e 6). 

1 – Orar é basicamente apresentar a Deus, mediante Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo, nossos desejos, necessidades, confissão de pecados, intercessões, agradecimentos. A razão é que somente o Deus Triúno conhece nossos corações, é capaz de atender os pedidos e o único que pode perdoar pecados. Portanto, não há qualquer fundamento bíblico para dirigirmos nossas orações a quaisquer criaturas, vivas ou mortas, mas somente ao Deus Triúno (2 Sm 22:32; 1Rs 8:39; Is 42:8; Sl 65:1-4;145:16,19; Mq 7:18-20; Mt 4:10; Lc 4:8; Jo 14:1; At 1:24; Rm 8:26-27; Jo 14:14 e dezenas de outros textos que falam de nos dirigirmos a Deus).

2 – O Novo Testamento nos ensina que devemos orar a Deus em nome de Jesus Cristo. A razão é que o pecado nos afastou de Deus e não podemos nos aproximar dele por nossos próprios méritos. Jesus Cristo é o único, na terra e no céu, que foi constituído pelo próprio Deus como mediador entre ele e os homens. Não há qualquer base bíblica para se chegar a Deus em oração pela mediação de qualquer outro nome. A Bíblia nos ensina que “não há outro nome dado aos homens” (At 4:12) e que “há somente um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo” (1Tim 2:5). (Ver ainda Jo 14:6; Ef 3:12; Cl 3:17;Hb 7:25-27;13:15). 

3 – Orar em nome de Jesus é nos achegarmos a Deus confiados nos méritos de Jesus Cristo e no perdão de pecados que ele nos conseguiu por meio de sua morte na cruz. É pedir a Deus com base nos merecimentos de Cristo e não nos nossos. É renunciar a toda justiça própria e chegarmos esvaziados de nós mesmos diante de Deus, nada tendo para oferecer em nosso favor a não ser a obra daquele que morreu e ressuscitou por nós. Onde não houver esta disposição e atitude, invocar o nome de Jesus é vão. O nome de Jesus não é um talismã ou uma palavra mágica, ou a senha para desbloquear as bênçãos de Deus. Não funciona nos lábios daqueles que ainda confiam em si mesmos e na sua própria justiça, ainda que repitam este Nome dezenas de vezes em oração (Mt 6:7-8; 7:21; Lc 6:46-49; Jo 14:13,14; At 19:13-16; 1Jo 5:13-15; Hb 4:14-16).

4 – Embora possamos pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos, todavia, só deveríamos orar por aquelas que trazem a maior glória de Deus, que promovem o crescimento do Reino de Deus neste mundo e que são para nosso bem, sustento, proteção, alegria, bem como de nosso próximo. Foi isto que Jesus nos ensinou a pedir na oração do “Pai Nosso” (Mt 6:9-13), além de outras coisas afins (Lc 9:11-13). Assim, é tentar a Deus orarmos por coisas ilícitas e pedir coisas que Ele declara, na Bíblia, serem contra a sua vontade (Tg 4:1-3; Mt 20:20-28).

5 – Em nossas orações, deveríamos nos lembrar de orar por outras pessoas. A Bíblia nos ensina a pedir a Deus pelos irmãos em Cristo, pela Igreja de Cristo em todo o mundo, pelos governantes, por nossos familiares e pessoas de todas as classes, inclusive pelos nossos inimigos. Todavia, não há qualquer base bíblica para orarmos pelos que já morreram ou oferecer petições em favor dos mortos (Gn 32:11; 2Sm 7:29; Sl 28:9; Mt 5:44; Jo 17:9 e 20; Ef 6:18; 1Tm 2:1-2; 2Ts 1:11; 3:1; Cl 4:3).

6 – Deus nos encoraja a trazer diante dele as nossas petições. Todavia, ainda que a eficácia de nossas orações dependa exclusivamente dos méritos de Cristo, Deus nos ensina em sua Palavra que há determinadas atitudes nos que oram que fazem com que ele não atenda estas orações, como brigas entre irmãos, mundanismo e egoísmo, tratar mal a esposa, pecados ocultos, incredulidade e dúvidas, falta de perdão a quem nos ofende, hipocrisia, vãs repetições, entre outras coisas (Mt 5:23-24; Tg 4:1-3; 1Pe 3:7; Sl 66:18; Pv 28:13; Is 59:1-2; Tg 1:6-7; Mt 6:14-15; Mt 6:5; Mt 6:7-8). Por outro lado, se nossas orações são respondidas, isto não se deve à nossa santidade, mas à graça de Deus mediante Jesus Cristo, que nos habilita a viver de forma agradável a ele (1Jo 3:21-22), e ao fato de que as orações, por esta mesma graça, foram feitas de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5:14).

7 – Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem.

Se houvesse mais oração verdadeira a Deus por parte dos que professam conhecê-lo mediante Jesus Cristo, quem sabe veríamos aquele avivamento e reforma espirituais que tanto desejamos para nossa pátria?

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cron 7:14).



sábado, 2 de novembro de 2013

Onde estão os finados?



Onde estão os finados?

2 de Novembro é "dia de finados" no Brasil. Boa oportunidade para se fazer a pergunta acima. Eu sei que a resposta óbvia é "enterrados no cemitério", mas eu me refiro à alma dos finados. A resposta bíblica pode ser resumida em alguns pontos, que não pretendem ser exaustivos, mas que representam o pensamento evangélico histórico e reformado sobre o que acontece após a morte.

1 - Imediatamente após a morte, as almas dos homens voltam a Deus. Seus corpos permanecem na terra, onde são destruídos. 

2 - As almas dos finados não caem em um estado de sono ou de inconsciência após a morte. 

3 - As almas dos salvos em Cristo Jesus entram em um estado de perfeita santidade e alegria, na presença de Deus, e reinam com Cristo, enquanto aguardam a ressurreição de seus corpos. 

4 - Esta felicidade não é impedida pela memória de suas vidas na terra, uma vez que agora eles consideram tudo à luz de perfeita vontade de Deus e do Seu plano perfeito. 

5 - Sua felicidade e salvação é somente pela graça de Deus. Eles não têm poder de interceder pelos vivos ou tornar-se mediadores entre eles e Deus. 

6 - As almas dos perdidos não são destruídas após a morte, mas entram em um estado de sofrimento consciente e de escuridão, tirados da presença de Deus, enquanto esperam o dia do julgamento. 

7 - Não há outros estados além destes dois após a morte. Não há qualquer base bíblica para a doutrina do purgatório e nem da reencarnação.

8 - Nem as almas dos salvos nem as dos perdidos podem voltar para a terra dos vivos após a morte. Todas os fenômenos considerados como a ação de almas desencarnadas deve ser atribuída à imaginação humana ou à ação de demônios.

A realidade da morte e da sobrevivência da alma deveria nos lembrar sempre das palavras de Jesus: "De que adiante ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"