sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?





Quem não conhece a famosa parábola do rico insensato? (Lc 12:13-21). Um homem que passou a vida inteira ajuntando tesouros para si, mas que na verdade não era rico para com Deus.

Não são poucos os que se esquecem de Deus, não são poucos os que tem invertido a ordem do “buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas”. Aquilo que é secundário, ou pelo menos deveria ser, tem tomado um espaço cada vez maior na vida das pessoas. As preocupações com os afazeres, a correria do dia a dia, os infortúnios do cotidiano, tudo isso e muito mais tem tirado o foco de Deus nas pessoas, e não somente isso, quando valorizamos e priorizamos tanto aquilo que é secundário, de uma certa forma é como se estivéssemos dizendo para Deus: “Quando der eu te priorizo”, ou, “deixa só eu ajeitar algumas coisas aqui, Deus, que eu me volto para Ti”.

Procuramos deixar algo para os nossos sucessores, fazemos de tudo para nos estabelecermos, perdemos noites preciosas de sono com o medo do amanhã, até o dia em que Deus bradará dos céus dizendo: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lucas 12:20)

Até que ponto não temos nos parecido com este rico insensato da parábola de Jesus? Até que ponto a nossa ganância e prepotência tem nos feito deixar Deus em segundo plano? Do que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mc 8:36). Do que nos vale um tesouro na terra ao invés de um tesouro no céu? (Mt 6:19-21)

Que Deus venha ser o nosso alvo principal, que nossa prioridade venha ser o reino de Deus e a sua justiça, que aquilo que é secundário venha ficar exatamente onde deve ficar, ou seja, em segundo plano. E que a maior motivação de nossas vidas seja sempre a de viver para a glória de Deus.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Didaquê: A Instrução dos Doze Apóstolos


(Ano 145-150 DC)

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE

CAPÍTULO I

1 Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2 Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3 Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4 Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5 Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6 Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

CAPÍTULO II

1 O segundo mandamento da instrução é:

2 Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.

3 Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.

4 Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.

5 A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.

6 Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7 Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

CAPÍTULO III

1 Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.

2 Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.

3 Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.

4 Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.

5 Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.

6 Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.

7 Seja manso pois os mansos herdarão a terra.

8 Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.

9 Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.

10 Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.

CAPÍTULO IV

1 Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.

2 Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3 Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4 Não hesite sobre o que vai acontecer.

5 Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6 Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7 Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. reverência, como à própria imagem de Deus.

8 Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.

9 Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.

10 Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.

CAPÍTULO V

1 Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2 Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.

CAPÍTULO VI

1 Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.

2 Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.

3 A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.

A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
CAPÍTULO VII

1 Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2 Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.

3 Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.

CAPÍTULO VIII

1 Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.

2 Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".

3 Rezem assim três vezes ao dia.

CAPÍTULO IX

1 Celebre a Eucaristia assim:

2 Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".

3 Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

4 Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".

5 Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

CAPÍTULO X

1 Após ser saciado, agradeça assim:

2 "Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

3 Tu, Senhor o­nipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, orém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.

4 Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.

5 Lembra-te, Senhor, da tua Igrreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6 Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."

7 Deixe os profetas agradecerem à vontade.

A VIDA EM COMUNIDADE
CAPÍTULO XI

1 Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.

2 Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3 Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.

4 Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.

5 Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.

6 Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar o­nde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.

7 Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8 Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.

9 Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.

10 Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.

11 Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.

12 Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.

CAPÍTULO XII

1 Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.

2 Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.

3 Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.

4 Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.

5 Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!

CAPÍTULO XIII

1 Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.

2 Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.

3 Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.

4 Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.

5 Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6 Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7 Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.

CAPÍTULO XIV

1 Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

2 Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.

3 Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei - diz o Senhor - e o meu nome é admirável entre as nações".

CAPÍTULO XV

1 Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2 Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.

3 Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no
Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.

4 Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.

O FIM DOS TEMPOS
CAPÍTULO XVI

1 Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2 Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3 De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4 Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6 Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. 7 Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". 8 Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Deus está em silêncio?



Muitas pessoas hoje em dia falam em nome de Deus, parecem saber tudo o que ele quer ou exige, mas o que Deus tem, de fato, falado? 

Olhando para a situação do nosso mundo, não parece, muitas vezes, que Deus está em silêncio? Não parece que ele guarda silêncio sobre os conflitos no Oriente Médio ou sobre os aviões que são derrubados? Ou mesmo sobre toda a corrupção do gênero humano, os assassinatos, a violência desmedida que toma nossas ruas e ceifa tantas vidas? Por que Deus não se manifesta a respeito da decadência moral de um país inteiro modelado pela “cultura" da novela das oito? Por que não derrama logo fogo e enxofre sobre os sodomitas do presente?

Penso que há quatro aspectos a respeito do “silêncio" de Deus que devem ser considerados. 

Em primeiro lugar, não significa conivência. No salmo 50, Deus descreveu pecados típicos dos nossos dias como aborrecer a disciplina (v. 17), ter prazer em ver o ladrão se dar bem (v. 18), apoiar os adúlteros (v. 18), falar mal dos outros, inclusive das pessoas mais próximas (v. 19), então complementou: "Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.20). Ou seja, o silêncio de Deus não significa conivência com os pecados humanos.

Em segundo lugar, o silêncio de Deus significa “disciplina”. Seria melhor que ele gritasse, condenasse, exigisse arrependimento, mas quando ele se cala, significa que entregou os homens à sua própria sorte, ou às mãos dos inimigos (Ne 9.30). Em Romanos 1.18-25, o Apóstolo Paulo descreve a impiedade dos homens daqueles dias que haviam rejeitado o conhecimento do Deus verdadeiro por causa dos ídolos. A consequência está nos versos 26-28: “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes”. O estado da sociedade atual é o resultado do silêncio de Deus. Quando Deus se cala, quando entrega os homens a si mesmos, não há esperança.

Em terceiro lugar, o silêncio de Deus nunca é definitivo. O profeta Isaías falou em nome de Deus: "Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos como a parturiente, e ao mesmo tempo ofegarei, e estarei esbaforido. Os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos. (Is 42.14-15). Para aqueles que desdenham do juízo, que se atrevem a viver despreocupados, pois julgam que Deus está calado, vale a advertência.

E, finalmente, na verdade, Deus não precisa trovejar do alto com sua voz estrondosa, porque ele já falou tudo o que é necessário. Na parábola do rico e Lázaro, do inferno, o rico suplica que Lázaro volte a terra para alertar seus irmãos. A resposta celeste é que os irmãos têm “Moisés e os profetas” (Lc 16.29), ou seja, as Escrituras Sagradas. Mas o rico perdido não está satisfeito e insiste que se alguém voltar dentre os mortos, as pessoas ouvirão. A resposta divina é surpreendente: "Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16.31). 

O que mais Deus precisaria falar para que as pessoas entendam as escolhas erradas da vida e se voltem para o que é certo? O que mais ele poderia dizer sobre salvação ou condenação? Temos 66 livros que reúnem tudo o que Deus já falou sobre o início e o fim do mundo, e principalmente, sobre o ponto central da história, onde se eleva uma cruz, dividindo a história, separando os homens à direita e à esquerda, conduzindo os arrependidos ao paraíso num piscar de olhos. 

Deus fala na Escritura. Mas quem tem ouvidos para ouvir?

Por - Leandro Lima

terça-feira, 22 de julho de 2014

Um clamor no inferno



"Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado. No Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado. Então, chamou-o: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo." Lc 16:22-24

É muito comum vermos pessoas dizendo que são "novas demais", ou, "que Deus pode esperar mais um pouquinho", quando questionadas sobre a razão de ainda não desfrutarem de uma comunhão com Deus. Costumam fazer planos, elaboram projetos, arquitetam cada detalhe de suas vidas, e acabam se esquecendo de que a vida é como um sopro, como um vento que passa e não se sente mais, e a resposta de Deus para estas pessoas é esta: "Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" Lucas 12:20

Quando analisamos a vida deste rico, somos levados a fazer a mesma pergunta feita por Cristo em Mc 8:36: "Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?". Enquanto o rico acumulava tesouros na terra, Lázaro acumulava tesouros no céu (Mt 6:19-21).

Erramos quando não priorizamos Deus, também erramos quando não conhecemos as Escrituras, pois está tudo lá, de forma clara e evidente, a melhor maneira de sermos bem sucedido nesta vida é priorizando Deus; a  melhor maneira de experimentarmos a plenitude nesta vida é priorizando Deus. Em absolutamente tudo, o melhor está em se priorizar Deus!

É exatamente isso que as Escrituras nos mostram. Quem nunca leu aquele tão conhecido versículo que diz: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua Justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas." Mt 6:33 - Parafraseando este texto poderíamos dizer: Busquem a Deus, priorizem Deus, e tudo o que é secundário vos será acrescentado.

Deus não permitirá que nenhum dos Seus se perca (Jo 17:12), mas isto não significa que estamos isentos de responsabilidade. Cada cristão possui o ministério da reconciliação (2 Co 5:18), devemos anunciar o evangelho de forma irrestrita e igual a todos, e Deus pela Sua Soberania, agirá no interior de cada um segundo os Seus propósitos eternos e imutáveis.

Que nossa prioridade venha ser Deus, não só hoje mas para sempre. Amém!


sábado, 3 de maio de 2014

"AOS QUAIS CONVÉM TAPAR A BOCA." Tito 1:11



Este foi o recado de Paulo para Tito em relação aos falsos mestres. "Eles devem ser silenciados!"


E como isso deve ser feito? A resposta é simples: Denunciando e expondo suas obras e doutrinas torpes! Ao contrário do que se pensa, o escândalo não vem por parte de quem o denuncia, e sim por parte de quem o comete (Mt 18:7). João Batista não cometeu nenhum escândalo ao chamar Herodes de adultero, por que era exatamente isso que ele era, um adultero. O "escândalo" vinha por parte de Herodes que o cometia, e não por parte de João Batista que o denunciava.

Trata-se de uma repreensão severa, e não amigável; pois estamos lidando com destruidores de lares e deturpadores da sã doutrina (v. 11), é exatamente isso que o apostolo aconselha e Tito, veja: "repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé." Tito 1:13

É interessante destacar que esta denuncia possui um propósito, propósito este que encontramos no final do verso 13, observe: "para que sejam sadios na fé" Tito 1:13. Esta repreensão visa a salvação, e não a difamação. Já passou da hora de esse papo furado de "não tocar em ungido" chegar ao fim. Se é herege, e, se estiver deturpando a são doutrina, deve sim ser denunciado, e denunciado severamente, como alguém que abandonou o evangelho e se enveredou em caminhos de morte, e, como disse antes, tudo isto com o propósito de que volte a ser sadio na fé novamente.

Como bem disse o reverendo Augustus Nicodemus: “'Não toque no ungido do Senhor' é apelação de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar como resposta."

Encerro este texto com a sábia frase de João Calvino: "O cão late quando seu dono é atacado. Eu seria um covarde se visse a verdade divina ser atacada e continuasse em silêncio, sem dizer nada."

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Deus que surpreende



Quando Jesus está presente tudo pode acontecer. Um paralítico desenganado há 38 anos pode voltar a andar (Jo 5:1-15), um cego de nascença pode ver a luz (Jo 9:1-12), uma mãe que iria deixar seu filho falecido no cemitério pode voltar com ele vivo para casa (Lc 7:11-17), e etc.

De fato, servimos a um Deus que surpreende. Não são uma ou duas passagens nas escrituras que nos mostram a maneira inesperada de Deus agir, mas várias. Quando ninguém menos esperava, Deus ia lá e fazia as coisas acontecerem. Veja algumas ocasiões:

"E DE REPENTE veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados." Atos 2:2

"E DE REPENTE sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos." Atos 16:26

"Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, DE REPENTE me rodeou uma grande luz do céu." Atos 22:6 

"E, DIZENDO PEDRO AINDA ESTAS PALAVRAS, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra." Atos 10:44

Note como as escrituras nos mostram que todos estes episódios aconteceram de forma repentina, inesperada. Deus sempre surpreendeu e sempre surpreenderá aqueles que O amam, e isto é no mínimo motivacional.

Sabe aquela oração que parece não ter resposta? Ou o silêncio de Deus que parece não ter fim? Então, quem sabe hoje não é o dia do "de repente" de Deus na sua vida.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Não vos entregueis a inquietações." Lc 12:29



Aquele que nunca passou por momentos turbulentos na vida, que atire a primeira pedra! É comum do ser humano se preocupar e se inquietar com várias coisas; mas, até que ponto o que é secundário está tomando a primazia em nossas vidas?

É maravilhosa a simplicidade com que podemos viver; então, por que dar a alimento, roupa e etc., uma proeminência tão grande e desnecessária em nossas vidas? Deus conhece muito bem nossas necessidades, Ele sabe muito bem do que precisamos (Lc 12:30); e assim como Ele alimenta os corvos e veste as ervas do campo, assim também Ele nos vestirá e nos sustentará, em todas as nossas necessidades. (Lc 12:27-34; Sl 23:1)

O segredo de tudo está em priorizar Deus, está no ato de deixar o mundo e todos os seus prazeres como secundários, irrelevantes. Parafraseando Jesus eu poderia dizer: Busquem a Deus, priorizem Deus, e todas as coisas secundárias vos serão acrescentadas.

Não podemos nos deixar vencer pelos ventos da vida, não podemos, inclusive, deixar com que os problemas e as inquietações da vida tirem de nós o nosso foco em Deus. Em meio aos problemas, Jesus nos dá uma dica: “Não se perturbe, creia em Deus, e creia também em mim.” (Jo 14:1). Você já percebeu que para cada palavra contrária nas Escrituras, existe um livramento? Observe:

Palavra contrária: “Muitas são as aflições do justo”; (Sl 34:19)
Livramento: “Mas o Senhor o livra de todas”; (Sl 34:19)
Palavra contrária: “No mundo tereis aflições”; (Jo 16:33)
Livramento: “Mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”; (Jo 16:33)
Palavra contrária: “O choro pode durar uma noite”; (Sl 30:5)
Livramento: “Mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5); e etc.

O consolo de Deus para com seus filhos é este: Ele não nos deixou órfãos, Ele é presente para nos livrar, nos cuidar, e nos proteger; e também para nos corrigir e nos repreender quando preciso for, pois Ele faz isso com aqueles que ama. (Hb 12:6)

Aquiete-se, não se turbe, nem se perturbe. Lance diante de Deus as suas ansiedades, e Ele cuidará de ti. (1 Pe 5:7)


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Quando Jesus está presente



Quando Jesus está presente, o mar se acalma. Mt 8:23-27

Quando Jesus está presente, o vento se cala. Mt 8:23-27

Quando Jesus está presente, o nosso coração arde. Lc 24:32

Quando Jesus está presente, suas ovelhas O reconhecem e O seguem. Jo 10:27

Quando Jesus está presente, os mortos ressuscitam. Lc 7:11-17; Mc 5: 35-43; Jo 11

Quando Jesus está presente, os doentes são curados. Lc 4:40

Quando Jesus está presente, os demônios tremem. Lc 4:41

Quando Jesus está presente, pecadores são perdoados. Lc 5:20

Quando Jesus está presente, há justiça. 1 Jo 2:1-2

Quando Jesus está presente, temos vida. Jo 10:10

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Deus ou o céu: O que você tem buscado?



Uma pequena reflexão:

Se Deus não estivesse no céu, eu não desejaria o céu. Se Cristo estivesse no inferno, eu preferiria o inferno, pois, pela sua majestade e soberania, ele apagaria as chamas do inferno, expulsaria de lá Satanás e seus anjos, e o inferno, na mesma hora, se tornaria o céu.


sábado, 7 de dezembro de 2013

Seis pontos de meu calvinismo



É claro que estou brincando – o calvinismo tem muito mais do que cinco ou seis pontos. Esses que vou citar são alguns dos que creio com respeito à salvação. E mesmo assim, nem todos os que se consideram calvinistas concordariam completamente comigo. Meu alvo é tentar esclarecer o que calvinistas, em geral, acreditam sobre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Não coloquei textos bíblicos, pois não quero provar nada – só explicar o que acredito como calvinista.

1 – Creio que Deus predestinou tudo o que acontece. O Deus que determinou todas as coisas é um Deus pessoal, inteligente, justo, santo e bom, que traçou seus planos infalíveis levando em conta a responsabilidade moral de suas criaturas. Ele não é uma força impessoal, como o destino. Portanto, as decisões que tomamos não são mera ilusão e nossa sensação de liberdade ao tomá-las não é uma farsa. Eu acredito que as nossas decisões e escolhas são bem reais e que fazem a diferença. Elas não são uma brincadeira de mau gosto da parte de Deus. De uma maneira para mim misteriosa, porém perfeitamente compatível com um Deus onipotente e infinito, ele consegue ser soberano sem que a vontade de suas criaturas seja violentada. Ao mesmo tempo, ao final, sempre prevalecerá aquilo que Deus já determinou desde a eternidade. Encaro essa relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana como sendo parte dos mistérios acerca do ser Deus, como a doutrina da Trindade e das duas naturezas de Cristo

2 – Creio que Deus predestinou desde a eternidade aqueles que irão se salvar. Esta convicção não me impede de orar pelos descrentes e evangelizar. Ao contrário, evangelizo com esperança, pois Deus haverá de salvar pecadores. Creio que Deus já sabe, mas oro assim mesmo. Sei que ele ouve e responde, e que minhas orações fazem a diferença. Sei também que, ao final, através de minhas orações, Deus terá realizado toda a sua vontade. Não sei como ele faz isso. Mas, não me incomoda nem um pouco. Não creio que minha oração seja um movimento ilusório no tabuleiro da soberania divina.

3 – Não creio que Deus predestinou todos para a salvação. Da mesma forma, não creio que ele foi injusto e nem que ele fez acepção de pessoas para com aqueles que não foram eleitos. Não creio que Deus tenha predestinado inocentes ao inferno, pois não há inocentes entre os membros da raça humana. E nem acredito que ele tenha deixado de conceder sua graça a quem merecia recebê-la, pois igualmente não há pessoa alguma que mereça qualquer coisa de Deus, a não ser a justa condenação por seus pecados. Deus predestinou para a salvação pecadores perdidos, merecedores do inferno. Ao deixar de predestinar alguns, ele não cometeu injustiça alguma, no meu entender, pois não tinha qualquer obrigação moral, legal ou emocional de lhes oferecer qualquer coisa.

4 – Creio que Deus sabe o futuro, não porque previu o que ia acontecer, mas porque já determinou tudo que acontecerá. Por isso, entendo que a presciência de que a Bíblia fala é decorrente da predestinação, e não o contrário. Negar a predestinação e insistir somente na presciência de Deus com o alvo de proteger a liberdade do homem levanta outros problemas. Quem criou o que Deus previu? E, se Deus conhece antecipadamente a decisão livre que um homem vai tomar no futuro, então ela não é mais uma decisão livre.

5 – Creio que apesar de ter decretado tudo que existe desde a eternidade, Deus acompanha a execução de seus planos dentro do tempo, e se comunica conosco nessa condição. Quando a Bíblia fala de um jeito que parece que Deus nem conhece o futuro e que muda de ideia algumas vezes, é Deus falando como se estivesse dentro do tempo e acompanhando em sequência, ao nosso lado, os acontecimentos. É a única maneira pela qual ele pode se fazer compreensível a nós. Quem melhor explica isso é John Frame, no livro Nenhum Outro Deus, da Editora Cultura Cristã, que recomendo entusiasticamente.

6 – Creio que Deus é soberano e bom. A contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo é apenas aparente e, por enquanto, sem explicação. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal. Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente afirma ambas e pede que vivamos na certeza de que um dia Deus haverá, mediante Jesus Cristo, de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.

Deve ter ficado claro que um calvinista, para mim, é basicamente um cristão que aceita o que a Bíblia diz sobre a relação entre Deus e o homem e reconhece que não tem todas as explicações para as questões levantadas. Para muitos, esse retrato é de alguém teologicamente fraco e no mínimo confuso. Mas, na verdade, é o retrato de quem deseja calar onde a Bíblia se cala.